Peça autobiográfica criada a partir de um suicídio estreia no Ipiranga

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Espetáculo integra o projeto Teatro Mínimo, que recentemente teve temporadas das peças ‘Cartas Libanesas’, ‘Festa no Covil’ e ‘Bonita’.

De 9 de junho a 29 de julho (terças e quartas) o Sesc Ipiranga apresenta o espetáculo ‘Azirilhante’, da Cia. Simples.

Como no filme “Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho, em ‘Azirilhante’ a percepção dos espectadores é constantemente construída e destruída, da ficção à realidade e vice-versa. Há a sobreposição de dois pólos opostos: a ficção proposta pela dramaturgia e a presença da atriz Flavia Melman, falando em primeira pessoa, confundindo o espectador entre histórias reais e inventadas.

O monólogo foi inspirado na mãe da atriz (falecida em 2000), Vera Azrilhante – sobrenome que em russo significa “a mão do anjo da morte” – e expõe como o contato direto com a morte pode ser revelador de um sentindo novo para a vida, como a morte pode ser, na verdade, uma grande aliada quando tocada sem mistificações.

Esta autobiografia se torna, pelas mãos, olhar e palavras de Flavia, uma biografia ficcionalizada. Busca-se a comunicação a partir da potência de experiências vividas e a latência do que foi vivido pela atriz: a morte precoce da ‘mãe-pássaro’, que 10 anos antes saltara da janela do 13º andar do apartamento que dividiam.

O desejo da atriz foi o de processar o vazio em teatro, encená-lo e transformá-lo. No corpo de mulher, revive a criança cuja mãe deu um fim abrupto à própria vida. Era tempo de reprocessar as feridas, dentre elas, o tabu do suicídio e a vida da mãe como “algo que dera errado”. Qual é o parâmetro de “dar certo”? O texto veio das improvisações da atriz em mais de um ano de processo. Nele,

navega-se livremente pela infância e a vida adulta daquela que nos conta a história. Fatos verossímeis (verídicos ou não) e fantasia misturam-se, sem hierarquia.

As tentativas de valorização do real, aqui compartilhada, tampouco são novas. A originalidade aqui está no corpo da atriz que não se esconde atrás de uma personagem: ao contrário, é a própria atriz – Flávia – que conta sua história em primeira pessoa.

O espetáculo integra o projeto Teatro Mínimo – série de espetáculos intimistas, preferencialmente monólogos, baseados essencialmente no trabalho de interpretação do ator. Traz textos de autores consagrados e de novos dramaturgos, que tenham como foco o trabalho de expressividade do intérprete.

Ficha Técnica
Criação: Cia. Simples
Concepção e elenco: Flavia Melman
Colaboração: Leonardo Moreira e Otavio Dantas
Texto e direção: Daniela Duarte
Figurino: Claudia Shapira
Iluminação e cenário: Marisa Bentivegna

Teatro Mínimo – Azirilhante
Dias:
De 9/6 a 29/7 as terças e quartas.
Horário: 21h30
Local: Auditório (30 lugares)
Duração: 60 minutos
Classificação: 16 anos
Ingressos: R$ 6,00 a R$ 20,00
Sesc Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga
Telefone para informações: (11) 3340-2000
Bilheteria: Terça a sexta, das 12h às 21h; sábados, das 10h às 21h30; domingos e feriados, das 10h às 18h.
Ingressos à venda também em todas as unidades do Sesc SP ou no site www.sescsp.org.br
Não temos estacionamento. Acesso para deficientes físicos.

Reportagem: Assessoria de imprensa. Foto: Divulgação.

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