A volta de um novo velho imposto!

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O governo quer fechar as contas do ano sem perder a credibilidade. Se bem que essa é uma palavra difícil para a presidente que enfrenta impopularidade recorde. Porém, abrir mão de mais um imposto é o mínimo esperado para se manter um pouco de reputação.

Para quem não se lembra, a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira), mais conhecida como imposto do cheque, vigorou por muito tempo no país (1997 a 2007) e, sem dúvidas, sua volta traria mais desconfiança para o ambiente político já conturbado.

Com o propósito de sua arrecadação ser investida originalmente na saúde, o fundo também foi destinado ao combate à pobreza. Desta vez, sendo o mesmo destino, a contribuição visaria, na verdade, auxiliar o governo a fechar o caixa no azul.

É muito claro para os brasileiros que muitos gastos por parte do governo, principalmente no ano passado, passaram do aceitável. Em 2014, ano de eleição e Copa, o país, que já estava fragilizado financeiramente, acabou por mascarar seus gastos. Resultado: 2015 chegou, já está quase no final e o desespero para fechar as contas também!

Em um momento em que há um racha político evidente entre a base do governo (PT-PMDB), a desistência do imposto por parte da presidente é o mínimo a se fazer pelo já fragilizado empresariado e, consequentemente, pelos brasileiros em geral.

Importante lembrar que órgãos representativos do setor empresarial e de indústrias emitiram diversos comunicados ao longo das últimas semanas repudiando o tema. Isso fatalmente fez a presidente voltar atrás em suas pretensões.

Uma insistência na volta do imposto poderia colocar o próprio PMDB como oposição junto aos demais partidos, rachando de vez, a já frágil base no Congresso. Isso porque Eduardo Cunha, presidente da Câmara e Renan Calheiros, presidente do Senado, ambos do mesmo partido, declararam publicamente ser contra sangrar o brasileiro com mais um imposto.

Sem o novo-velho imposto, R$ 80 bilhões deixarão de ser arrecadados e, neste momento, a equipe econômica precisa buscar soluções para fechar esta conta corretamente: ou criarão novos e pontuais tributos ou cortarão gastos.

Semana passada foi comentado a possível redução de 10 ministérios como forma de ajuste econômico e esse também pode ser um caminho de médio a longo prazo.

Muitas pastas de governo estão acéfalas, assim como secretarias, subsecretarias e cargos de confianças em estatais que não têm outra finalidade senão aparelhar a máquina pública com filiados políticos da base aliada.

Hoje a população faz seus ajustes orçamentários. Ninguém repassa a conta para o vizinho pagar.

Esperamos que o Brasil, a presidente e sua equipe econômica e governamental também faça o mesmo: ajustem seus gastos e exageros e não terceirizem suas responsabilidades de pagamento para os vizinhos.

Antonio Gelfusa Junior é diretor do SP Grupo de Jornais.

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