Maluf e Lula: separados na maternidade

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Era setembro de 2000, exatamente em época de campanha eleitoral. O cenário: a praça Silvio Romero, tradicional ponto da zona leste de SP.

Paulo Maluf visitava a região em campanha para prefeito daquele ano.

Maluf entrou na tradicional padaria Lisboa e serviu um cafezinho no lugar de um atendente.

Os correligionários e simpatizantes de Maluf – eram mais de 100 – estavam ao seu redor.

Até que em um determinado momento um garoto gritou na porta da padaria: “Maluf ladrão”, e saiu correndo.

Todos ficaram surpresos e sussurravam “Meu Deus” e “Que indelicadeza”. Maluf nem se alterou.

Lá mesmo foi questionado pela grande imprensa pelos desvios de verbas em que tivera seu nome envolvido.

Maluf respondia dizendo que tinha construído o túnel Ayrton Senna, feito o Cingapura, Leve-leite, colocado a Rota na Rua etc.

Naquela época Maluf dizia assim: “Se sujei, me deixa limpar”, referindo-se a Celso Pitta, inexperiente político que ajudou a eleger em 1996. Seu objetivo era o de sempre e de todos os partidos: perpetuar sua estrutura no poder.

Maluf já foi prefeito e governador de São Paulo. Promoveu muitos e importantes avanços, mas sua base, partido e equipe de governo, se envolveram até as entranhas no desvio de verbas públicas.

O político é procurado pela justiça internacional. Foi preso. Teve que devolver dinheiro aos cofres públicos.

Maluf não ganhou aquela eleição em 2000 em SP. Quem ganhou foi Marta, do PT.

A cidade aprendeu muito sobre Maluf e não o elegeu mais para cargos do executivo.

Porém, foi eleito deputado federal em 2002 – até porque os malufistas ainda o idolatravam –, e Maluf passou a dialogar com Lula, eleito presidente no mesmo ano.

Seu partido, o PP, foi base aliada do governo federal a partir de 2003. Nas eleições do governo do estado de SP em 2004, Maluf apoiou José Genoíno, do PT, no segundo turno. Hoje Genoíno está preso.

Era o início das incoerentes alianças que passaríamos a assistir.

As suspeitas do mensalão brotavam de maneira arrasadora.

Lula, assim como Maluf, negava.

O ex-presidente e seu partido fechavam acordos com José Sarney, Renan Calheiros e até mesmo o deposto Collor.

Figuras políticas como Plínio de Arruda Sampaio, Cristóvão Buarque, Heloisa Helena, Ivan Valente, Erundina, Marina Silva entre tantos outros iniciaram seu processo de saída do PT.

Em 2012 o ex-presidente Lula veio a São Paulo apertar a mão de Paulo Maluf, em sua casa, para chancelar o acordo de apoio a candidatura de Fernando Haddad.

Momento emblemático. Logo em São Paulo. Logo na cidade de disputas marcantes entre Marta e Maluf. Logo entre a esquerda e direita, que inclusive nem existem mais.

Marta hoje está no PMDB, o partido pró e contra governo.

Lula, já mais parecido com Maluf, também ajudou a eleger um político inexperiente.

Dilma, de maneira similar ao Celso Pitta, nunca foi candidata ou eleita para algum cargo. A insegurança e inabilidade de ambos prejudicaram qualquer tipo de governabilidade.

As mãos de Lula e Maluf em seus apadrinhados os elegeram. O que mostra o tamanho de suas forças no contexto político.

Os lulistas, assim como os malufistas, mantém suas “convicções” mesmo diante do caos.

Quando questionado sobre corrupção, Lula responde que fez o bolsa família, reduziu a pobreza, colocou os negros na universidade etc.

Assim como Maluf, Lula também realizou feitos importantes.

Assim como Maluf, Lula também responde perguntas sobre corrupção com informações sobre os feitos realizados.

Porém, o que todos realmente querem saber, eles jamais responderão.

Antonio Gelfusa Junior é editor-responsável do SP Jornal.

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