Aricanduva ganha Centro Temporário de Acolhimento

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Em meio a polêmicas, implantação do novo serviço contou com o apoio da iniciativa privada.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Especial de Investimento Social, inaugurou na segunda-feira (17) o segundo Centro Temporário de Acolhimento (CTA) para pessoas em situação de rua, em Aricanduva, na Zona Leste. O serviço funcionará 24 horas e será mantido por meio de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) e a Associação Nossa Senhora das Graças, ofertando 238 vagas de acolhimento e outras 100 vagas de convivência durante o dia.

O novo serviço tem capacidade para receber 150 homens e 88 mulheres para pernoite em um sistema de alojamento, com espaços delimitados por divisórias e sem portas, com as áreas femininas e masculinas totalmente isoladas. O espaço foi construído para receber os novos conviventes, com delimitação das salas de atendimento, cozinha, ambulatório, um consultório de veterinário e um canil que abrigará até 24 cães.

A equipe de atendimento é composta por 36 colaboradores, que exercem as funções de gerente de serviço, assistentes técnicos, assistentes sociais, técnico especializado, técnico de informática, psicólogo, agentes operacionais e um veterinário.

Assim como no CTA do Brás, o primeiro a ser inaugurado, no serviço de Aricanduva as pessoas em situação de rua serão acolhidas em caráter temporário, para que em seguida sejam direcionadas a novas oportunidades. O CTA também ofertará 100 vagas de convivência durante o dia, com oficinas de capacitação, aulas de informática, palestras e será um dos pontos de qualificação para o programa Trabalho Novo, que prevê a inserção de pessoas em situação de rua no mercado de trabalho.

“Este é o modelo que servirá de referência para todos os CTAs”, informou o prefeito João Doria. Ele explicou que as pessoas poderão ficar no local por até três meses e nesse período recebem acolhimento, roupas, atendimento médico, estabilização emocional e psicológica, treinamento profissionalizante, carteira de trabalho e possibilidade de reinserção no mercado. “Pelo programa Trabalho Novo, já temos mais de dez mil vagas oferecidas pelo setor privado”, acrescentou o prefeito.

Os primeiros conviventes encaminhados para o serviço serão os moradores em situação de rua da própria região. As pessoas que estão inseridas no programa Trabalho Novo também receberão acolhimento no CTA. O procedimento vai permitir que os conviventes possam trocar experiências e também facilitará a logística das equipes da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social para que possam acompanhá-los individualmente.

Polêmica

No dia seguinte a inauguração do CTA, terça-feira (18), uma reportagem da CBN denunciou pela manhã que pessoas em situação de rua estavam sendo despertadas com jatos de água fria pelos caminhões que realizam a limpeza das vias na região da Sé.

Na mesma manhã, um morador de rua foi encontrado morto, na esquina da avenida Teodoro Sampaio com a avenida Doutor Arnaldo, com suspeita de hipotermia – morte em decorrência do frio. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), aquela havia sido a madrugada mais fria do ano, chegando a mínima de 7,9°C.

Mais tarde naquele dia, o prefeito João Doria disse à revista Veja São Paulo que o incidente na Praça da Sé foi um “descuido” das equipes de limpeza. “As equipes sabem como proceder, são orientadas a isso. Houve nesta circunstância um descuido de duas equipes, uma no Pátio do Colégio e outra na Praça da Sé”, explicou.

Doria disse também que apenas alguns cobertores foram molhados e que todos foram repostos. O prefeito ainda chamou atenção, apontando que o caso serve de alerta para que o vice-prefeito e secretário das prefeituras regionais, Bruno Covas, repasse as orientações para as empresas terceirizadas responsáveis pela limpeza da cidade.

Reportagem: Da redação. Foto: Divulgação.

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