A polarização das eleições presidenciais

Os últimos dois pleitos das eleições para presidente foram marcados pela polarização de candidatos com pensamentos divergentes e extremos.

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Em 2014 Aécio Neves pelo PSDB e Dilma Roussef pelo PT protagonizaram um grande embate. Na onda do “nós” contra “eles” a eleição refletiu explicitamente as divergências entre os partidos, com suas ideias e opiniões sobre como seria reger o futuro do Brasil. Era o partido da situação, o PT, sendo provocado pelo partido que governou o país anteriormente, o PSDB.

Ambos promoveram mudanças, mas nenhuma profunda e significativa como reforma da previdência, trabalhista, educacional, tributária, política e tantas outras. Todos os governos empurraram para debaixo do tapete as promessas que fizeram. Mas esse é um cenário recorrente na maioria dos governos brasileiros.

Foram 32 anos de PSDB e PT em que nenhum dos assuntos acima foram encarados como prioridade de fato, ficaram apenas nas lembranças de suas candidaturas. De certa forma, houve um não conformismo com os resultados por conta dos que votaram em Aécio. Podemos até relacionar o cenário do passado, com as atitudes de agora, quatro após depois com a eleição presidencial de 2018, cujo vencedor foi Jair Bolsonaro.

Sobre o apoio e candidatura de Aécio Neves, ficou evidente que muitos nem faziam ideia do envolvimento dele em escândalos e áudios estarrecedores, que vieram à tona meses depois.

A vencedora foi a Dilma Roussef, porém a mesma não chegou a terminar seu governo. Para muitos foi um escândalo e um evidente golpe. Mas o conceito correto seria traição. Traição de um sistema político falido – a chapa seguiu até o final com Michel Temer, vice eleito junto com ela.

E enfim, passados os temerosos 4 anos, com 2 anos de um [vice] presidente tampão, sem credibilidade e com ministros envolvidos até o pescoço com a corrupção, as eleições 2018 chegaram e com ela um cenário ainda mais polarizado. Jair Bolsonaro e Fernando Haddad representavam uma distância de programas e pensamentos ainda mais antagônicos.

De um lado uma filosofia de direita apoiada por uma campanha de internet forte, mas que até então era desacreditada, já iniciada em 2015. E de outro um candidato a vice, de esquerda, que se transformou no candidato oficial após a deliberação da justiça de não permitir que o “candidato oficial” fosse oficializado.

Confuso né?

Mas o processo democrático é assim. Se a lei permite, faz parte do jogo. É claro que não é saudável para democracia tantos partidos fazerem parte de um sistema permissivo com a corrupção como o nosso. São mais de 30 siglas.

São opções de direita, esquerda, extrema de esquerda, extremas de direita, centro, centro-esquerda, centro-direta, além de pegadas sociais, ambientais, trabalhistas, cristãos e por aí vai.

Um candidato ganhou sua primeira disputa para presidente com baixos recursos, uso da intenso da internet, sem coligações e com discursos polêmicos. Devemos sim nos preocupar, fiscalizar e acompanhar tudo que deve se desenrolar daqui por diante.

Conviver em uma sociedade com este sistema político é assim: respeitar a vontade das urnas.É preciso desejar sorte para o novo governo. O Brasil precisa.

Antonio Gelfusa Junior é diretor do Grupo Raiz.

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