Precisamos falar sobre Fábio Assunção

Por Antonio Gelfusa Junior

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Fábio Assunção sempre esteve envolvido com polêmicas nos últimos anos devido seu problema com dependência química. Por conta disso, o ator caiu no gosto popular com “memes” e piadas sempre que uma sexta-feira está próxima. As piadas são de tom para fazer alusão ao excesso de  bebida e falta de regras ao final de semana.

Gabriel Bartz lançou uma música que fala sobre esta situação. “Hoje vou ficar doidão, vou virar o Fabio Assunção”, além de outras passagens da canção. Após a repercussão que a música tomou, o ator, de maneira surpreendente, publicou um vídeo em suas redes sociais onde fala sobre o fato de ter uma música sobre seu comportamento como dependente químico. Nele, Fábio esclarece que 15% da população mundial  sofre com drogas e tudo que este tipo de vida desencadeia.

Ao mesmo tempo, o ator disse que em nenhum momento pediu para sua assessoria entrar em contato com o cantor e compositor no intuito de cercear a liberdade de expressão. Segundo ele, reconhece o quanto o artista no Brasil sofre com falta de incentivo e dificuldade de ocupação de seu espaço.

Por fim, após um esclarecimento pontual sobre todo o processo, Fábio Assunção deixou claro que a ideia é reverter 100% dos diretos autorais para instituições que ajudem a cuidar de dependentes químicos.

O brasileiro sempre brincou com tudo e parece que Fábio entendeu isso mais que muita gente por aí. O bom humor, as brincadeiras e até mesmo a “zoeira” como ele mesmo diz, é algo genuíno no brasileiro, mas, de maneira  muito inteligente e sensível, não quer deixar de aproveitar o debate para dar mais amplitude para algo que está presente nas mais diversas famílias, ricas ou pobres, seja qual for a cidade, seja qual for o país.

Talvez seja a primeira vez que alguém consegue, através do humor e da dor, juntar ambos para ganhar projeção e conscientizar a sociedade sobre este importante debate. Ao final, disse para as pessoas cuidarem de si, dos amigos na noite, reconhecendo também que eles [no caso ele mesmo e sua assessoria) não são super-heróis por conta da atitude.

A partir de hoje, toda vez que alguém sugerir ligar o “modo Fábio Assunção” será, sem dúvidas diferente. Mesmo sabendo da dor, mesmo sabendo do humor, há algo por trás que podemos e devemos refletir toda vez que o assunto vier à tona.

Antonio Gelfusa Junior é publicitário e editor-chefe das publicações impressas e online do Grupo Raiz.

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