Presidente tem que dar exemplo

Em um mundo tão complexo, altamente conectado e diverso nos aspectos sociais, é difícil de “engolir” discursos discriminatórios por parte das pessoas, quem dirá por parte de um presidente

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A era Lula e Dilma recebeu, por nossos editoriais, todas críticas possíveis por suas desconexões, incongruências e corrupções das mais diversas.

Não seria diferente de um atual governo que chega em seus 6 primeiros meses.

Jair Bolsonaro, ao contrário de todos os políticos que o antecederam, mantém sua autenticidade, e isso é bem observável.

Sua rispidez e ignorância em lidar com pessoas que não concordem ou o divirjam é a mesma de quando era “apenas” um deputado.

Para quem votou nele, no caso a maioria da população brasileira através da maioria dos votos válidos da última eleição, tem a noção exata de que os projetos e intenções prometidas estão de acordo com a condução de seu governo.

Se por um lado sempre se discutiu o porquê de políticos mudarem seus valores quando chegam ao poder, Bolsonaro, na contramão de todos que o antecederam, não mudou nada. Continua o mesmo.

Isso ninguém pode acusá-lo: da falta de identidade e personalidade.

Durante anos como deputado e político, Bolsonaro sempre esteve à frente de polêmicas, frases mal ditas e pouca eloquência para se expressar, principalmente em temas sensíveis.

Dilma Rousseff, enquanto presidente, disse muitas frases absurdas– algo que não se espera de alguém que esteja à frente de uma República.

Eleita por Lula e sem experiência política executiva alguma, Dilma ganhou memes, páginas na internet, vídeos e áudios compilados de todas suas pérolas.

As confusões chegavam e ainda chegam pelos canais da internet mesmo após sua saída pelo impeachment em 2016.

Quem aqui não lembra do “saudar a mandioca”, “estocar vento” entre tantas outras?

Se uma antecessora era despreparada para lidar com raciocínio, o atual segue numa corrente de ignorância e racismo, o que é bem pior.

Chamar um governador de “Paraíba”, dizer que uma mulher “nem merece ser estuprada” – por mais que tenha sido provocado pela deputada Maria do Rosário na  época em que foi deputado –, enfim, mostra sem dúvidas uma imagem horrorosa de pensamento por parte de alguém que deveria minimamente dar algum exemplo.

Qualquer pessoa que analise minuciosamente o mercado e os negócios, sabe que se as reformas da previdência e tributária passarem – se de fato forem finalizadas este ano – , teremos um cenário muito mais fértil para os números econômicos.

Se o mercado reagir bem com as reformas – caso isso aconteça, Bolsonaro terá seus válidos méritos – é óbvio que a confiança fará com que os investimentos represados ganhem às ruas com geração de empregos, abertura de novos negócios, expansão de franquias e tudo mais.

O mercado funciona de acordo com a confiança no país, na sua economia e em seus gestores.

De nada adianta um esforço grande para ajustar toda questão econômica se o responsável por toda esta condução não consegue se controlar para conversar e conviver com pessoas e profissionais que pensem diferente de seus princípios.

Palavras mal ditas também deturpam mercado, criam desentendimentos e até guerras.

Essa comunicação ríspida da qual Bolsonaro pratica muitas vezes não ensina nada a nossas crianças e jovens, apenas os distancia da empatia ao próximo.

Como confiar em alguém assim?

 

Antonio Gelfusa Junior é publicitário e editor-chefe das publicações impressas e online do Grupo Raiz.

 

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