Imigrantes e refugiados preparam marmitas para doação

Refeições são distribuídas diariamente nas comunidades de Paraisópolis, Brasilândia e Vietnã

63

Ação social de imigrantes e refugiados — Um projeto do Ministério Público do Trabalho, em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Organização Internacional do Trabalho, articula a produção de marmitas por refugiados e imigrantes para distribuição a famílias em situação de vulnerabilidade nas regiões norte e sul da cidade.

O Projeto Ligue os Pontos apoia a ação e identifica os produtores rurais da Zona Sul na conexão dessa cadeia de produção. A iniciativa inova no auxílio a comunidades carentes durante a pandemia.

O programa Faces & Sustentabilidade surgiu para ajudar a minimizar os impactos da pandemia de coronavírus às pessoas mais vulneráveis, e está dividido em três grandes frentes. A primeira etapa teve papel importante do Projeto Ligue os Pontos, iniciativa da Prefeitura de São Paulo, com apoio da Bloomberg Philanthropies. O projeto ajudou a identificar produtores rurais do extremo sul da cidade com dificuldades de comercialização. Destes, os orgânicos ou em fase de transição agroecológica – para que pudessem vender seus alimentos à iniciativa.

O Projeto Ligue os Pontos apoia ainda a logística da ação, uma vez que os alimentos são levados a cozinhas da Faces & Sustentabilidade, situadas na Faculdade Hotec, região central da cidade. Neste local cerca de 30 integrantes de grupos historicamente excluídos, entre mulheres marginalizadas, transsexuais e imigrantes refugiados, trabalham, após serem capacitados, na preparação e montagem de refeições. 

A geração de renda a minorias se faz presente também nas próprias vestimentas dos cozinheiros. Isso visto que os uniformes, toucas e máscaras são confeccionados por refugiados – muitos deles que já se encontravam em situação de trabalho escravo.

 

Sobre o cardápio

O cardápio, que muda todos os dias, foi montado pela Chef de cozinha Paola Carosella e agrega sabores e temperos de diversas nacionalidades. Mais do que isso, “ligando os pontos”, Paola também teve papel preponderante para que o projeto saísse do papel e o acompanha regularmente:

“O projeto é perfeito! Eu acho que as pessoas não têm noção de como a agricultura de qualidade e o preparo da comida podem impactar tanta gente. Qualquer ponta se vê impactada com essa ação, que traz comida de qualidade, produtos orgânicos, cultura, renda, dignidade e direitos”, destaca Paola.

As “marmitas” têm como destino às comunidades de Paraisópolis, Brasilândia e Vietnã. Desde 16 de junho, cerca de 1.000 refeições são distribuídas diariamente, com auxílio de refugiados, a famílias em situação de vulnerabilidade. O projeto deve durar por mais dois meses e seus recursos são provenientes da aplicação de multas trabalhistas.

“Temos como referência a Agenda 2030 da ONU. Por isso, a finalidade do projeto é atender diversas pontas, desde agricultores orgânicos de Parelheiros com dificuldades de escoamento, grupos marginalizados que precisam de trabalho e emprego e as pessoas que mais necessitam neste momento”, afirma Gustavo Tenório Accioly, procurador e presidente do Comitê Estratégico de Comunicação do Ministério Público do Trabalho (MPT).

“É uma ação que traz múltiplos benefícios nesse momento de pandemia. A partir dessa iniciativa do Ministério Público do Trabalho, estamos conseguindo viabilizar um suporte a mais aos nossos produtores do extremo sul da cidade e, ao mesmo tempo, ajudando a combater a situação de crise alimentar que a população vulnerável está sofrendo”, declara José Amaral Wagner Neto, Secretário Adjunto de Desenvolvimento Urbano e Coordenador do Projeto Ligue os Pontos.

 

Notícia: Da Redação.  Foto: Divulgação.

Para conferir outros conteúdos como este, acesse a home de nosso site.

Comentários
Carregando...