Metrô e Estado de SP derrubam 145 árvores no Jardim Têxtil

Sociedade se revolta com arbitrariedade e inflexibilidade do poder público

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Logo pela manhã de 21 de junho moradores do Jardim Têxtil acordaram vendo 145 árvores sendo derrubadas pelas equipes do Metrô.

Na região do Jardim Têxtil, praça Mauro Brocco, haverá a instalação de um canteiro por conta da expansão da linha verde do metrô.  Este espaço, em específico, deve abrigar a máquina conhecida como “Tatuzão”, que perfura o subsolo para construção das estações.

Os moradores da região estão brigando há muito tempo para que essa situação não acontecesse, entretanto, foram vencidos pelas autoridades.

Em um dos vídeos enviados para nossa redação, uma árvore da espécie ficus, com mais de 30 anos, foi derrubada e quase danificou a rede elétrica.

“Não teve qualquer cuidado, presença da polícia, Enel ou mesmo corpo de bombeiros”, disse José Castro, morador da praça.

“Tudo sendo feito de qualquer jeito, sem respeito, colocando em risco fauna, flora e as pessoas do entorno”, acrescentou.

As obras estão acontecendo no Parque Linear Rapadura que tem 63 mil metros quadrados e fica na região do Jardim Têxtil, distrito de Vila Formosa.

O parque foi criado em 2008 para prevenir as enchentes em todo o percurso do córrego Rapadura, que pertence à bacia do rio Aricanduva.

Briga na justiça

Em agosto de 2020 a justiça suspendeu as obras por conta dos questionamentos dos moradores, porém, como o metrô recorreu da decisão e ganhou, retomou as mesmas na sequência.

É importante lembrar que há um sítio arqueológico na região, além de uma população de maritacas, tucanos, entre outras espécies.

O que diz o metrô

Em nota o metrô afirma que reduziu o corte de árvores de 355 para 145, que vai realizar uma compensação com plantio de 5 mil novas árvores e que também fará a revitalização no local.

A grande discussão está na falta de diálogo do poder público em apresentar melhores soluções, como por exemplo, usar outros terrenos nas adjacências que poderiam melhor receber essa estrutura, uma vez que as áreas verdes já são escassas na cidade.

“Tristeza, indignação e impotência. É um grande descaso do poder público e do Metrô que não quis nos ouvir, pois existe alternativa para a instalação do canteiro de obras. Nunca precisaria ser numa área de preservação em um parque linear e em uma área de esportes que a população usava”, afirmou Bruno dos Santos Augusto, morador.

Segundo Bruno, a compensação arbórea deve ser feita em Arujá, 40 quilômetros de SP. “Não há qualquer sentido uma distância dessas”.

A sociedade e a redação do SP Jornal, ZL Notícias, Jornal de Vila Carrão e Jornal de Vila Formosa lembram também que essa linha, completa, foi prometida de ser entregue para antes da Copa do Mundo de 2014. Ou seja, já são 7 anos de atraso.

Se a compensação arbórea prometida demorar todo este tempo para acontecer, quem perde é o meio ambiente.

Aliás, o meio ambiente está perdendo essa luta contra a expansão a qualquer preço há muito tempo, infelizmente.

Reportagem: Antonio Gelfusa Junior.  Foto: Divulgação.

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